CAVEIRA VERMELHA – ENCARNADO

“Milhares de alemães comuns se opunham ao genocídio e à ditadura de Hitler. Eles pagaram com suas vidas. Mas outros milhares o seguiram até o fim. Eles pagaram com suas almas.“


•SINOPSE•

Testemunhe o nascimento do mal.

Em 1923, quando a república alemã de Weimar mergulha no caos e o Partido Nazista ascende ao poder, um órfão chamado Johann Schmidt atinge a maturidade.

O jovem que vai se tornar o Caveira Vermelha luta para sobreviver — e triunfar — num mundo mergulhado no colapso econômico, crise política e violência implacável, até ganhar a afeição de um lojista amigável e a filha dele.

No entanto, conseguirá um garoto que abraçou a brutal supremacia do poder evitar seu terrível destino?


Caveira Vermelha: Encarnado, é escrito por Greg Pak e ilustrado por Mirko Colak. Essa edição de capa dura lançada pela Panini reúne as edições de 1 a 5 e narra a “origem” de Johann Schmidt (o Caveira Vermelha), desde a sua infância até a adolescência, período que vai de 1923 até 1934, e como toda historia de “origem”, tem como objetivo explicar, justificar e até humanizar (sem sucesso) as circunstâncias que o levaram a ser o que é.

“Vocês nasceram em 1914. O mesmo ano em que nossa grande nação foi pra guerra. Uma época de esperança. Vocês deveriam ser heróis. Em vez disso, são covardes, ladroes e traidores. Iguais aos judeus e socialistas que traíram o Reich em 1918”.

O Caveira Vermelha é um vilão que pouco conheço, mas nem por isso deixa de ser um dos mais intrigantes. Conhecido como a encarnação do próprio mal, sua reputação se fez tão grande que chegou a assustar o próprio Fuhrer, de quem Schmidt era braço direito.

Não espere um passado cheio de traumas, nada na história de Schmidt faz o leitor sentir pena ou empatia. Ao longo da narrativa, é possível observar que não foi o passado difícil que o transformou no que ele viria a ser (ou sempre foi). Ele não teve uma vida de tristezas, foi uma vida dura e injusta, é bem verdade (era órfão e vivia em um “lar para crianças rebeldes”), algo que não justificaria seus atos maldosos, que pelo contrário teve um caminho cheio de oportunidades de redenção sempre ignorados…

“O Putsch! Finalmente está acontecendo! O fim da República… e o retorno do Reich! Observe, garoto.”

Sem pender para ideologias ou bandeiras, Schmidt usa tanto o judaísmo quanto o nazismo para conquistar o que quer (é ajudado por uma família judia, ao dizer-se judeu e mais tarde entra para o exército nazista da Sturmabteilung como oficial alemão). Sempre observando o lado vitorioso, não hesitando em enganar ou matar em busca de “poder”, o que acaba culminando em seu encontro com Hitler.

“Não. Não estou com eles. Minha… minha mãe era judia”.

Pak entrelaça fatos reais da época à história do personagem com muita precisão e cada capítulo ou volume remete a um momento político importante na Alemanha. Sem grandes cenas de ação e com um roteiro que em nenhum momento causa qualquer impacto, a narrativa se perde ao ocorrer alguns saltos temporais mal estruturados dificultando o entendimento que ás vezes exige a leitura de algumas páginas mais de uma vez.

“Um homem da S.S. segue qualquer ordem que lhe é dada. Imediatamente. Não importa o que.”

A arte de Colak tem belos contrastes, o que da sobriedade e realismo ao criar de forma sutil o cenário massacrante e tenso da decadente Alemanha do pós-guerra e que já se encaminhava para o período da ascensão nazista.

As capas ilustradas por David Aja que inicia cada volume são de uma beleza extrema e singular, e são (acredito eu), referência a antigos cartazes da propaganda nazista. Mas é somente isso, uma vez lido, o roteiro não é algo que valha uma segunda olhada.

A Hq ainda possui notas finais com explicações de momentos históricos, comentários, discursos, períodos políticos e outras referências encontradas na narrativa.

“… você viveu nas ruas. Sabe como é. O mais forte! não importa se está certo. Ele é quem faz as regras. Mantem os fracos bem onde eles estão. Mas não vai ser assim pra sempre. Pessoas como nos… Pessoas como você Johann… vão tornar tudo melhor”.


Livro: Caveira Vermelha – Encarnado

Roteiros: Greg Pak

Artes: Mirko Colak

Editora: Panini Books

Nota: 2/5

Páginas: 124


 

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