GAME OF THRONES: 8ª TEMPORADA, EPISÓDIO 3 – A LONGA NOITE

“A noite é escura e cheia de terrores”

Finalmente aconteceu a batalha mais esperada de Game of Thrones e confesso que esperava mais, não que não tenha sido “foda”, foi, mas não sei, ainda fico com a batalha dos bastardos como minha batalha preferida.

Com quase nenhum dialogo e cenas impactantes, o episódio intitulado “A Longa Noite” (The Long Night), é grandioso, não somente pela grandeza da batalha, mas também pela duração (só a batalha durou em torno de uma hora e dez, num episódio de uma hora e vinte de duração), foram pelo menos dez minutos de tensão, angustia e terror quase lovecraftiano e um silêncio inquietante que antecederam à batalha.

A pouca iluminação (intencional diga-se de passagem), ao mesmo tempo que ajudou na ambientação assustadora, também tornou-se um grave problema à medida que assim como seus personagens, tornou difícil até mesmo discernir o que acontecia, como uma noite profunda da qual o pavor sai sem se anunciar.

O episódio começa com os exércitos Dothraki e Imaculados enfileirados à frente do castelo de Winterfell, preparados para a batalha, quando Melisandre surge do nada. A serva do Senhor da Luz invocando o poder de seu Deus acende todas as espadas dos Dothraki com fogo. Uma bela cena, visualmente linda. Os Dothraki com suas espadas em chamas avançam, mas são engolidos por uma grande escuridão. É uma cena que mexe com teu psicológico tamanho terror, pois ninguém sabe o que esperar dali em diante.

“- o Rei da Noite está vindo.

– Os mortos já estão aqui”.

É visível o pavor sentido por todos aqueles na frente da batalha. Existe um clima de medo, de vulnerabilidade nos olhos de cada um. Quando os mortos apareceram, foi como uma onda (infinitamente mais numerosos), varreram tudo à sua frente, do início ao fim foi um combate caótico, aterrorizante, aflitivo, brutal!!! Aos poucos a gente começa a perceber qual é o real tamanho do medo.

Quando menos se espera o fogo queima os mortos no campo de batalha, lançados pelos dragões montados por Daenerys e Jon que avistam os caminhantes brancos e quando avançam para eles são engolidos por uma neblina fria e escura.

Vendo que o perigo se aproximar, Arya dá uma arma para Sansa e pede que ela vá para a cripta onde acredita que estará em segurança. Os dragões de Jon e Daenerys voam a esmo na nevoa escura, o exército nortenho bate em retirada para dentro do castelo enquanto os imaculados tentam deter o avanço dos mortos. A Bruxa vermelha acende a trincheira invocando mais uma vez o poder do Senhor da Luz.

“Senhor da luz, defenda-nos”.

Nas criptas em meio às mulheres e crianças, Sansa encontra com Tyrion e Missandei. No Bosque Sagrado, Theon pede perdão a Bran e ele diz que tudo bem, que tudo que ele fez o levou àquele momento.

O rei da noite aparece montado em Viserion, Jon o vê e vai atrás dele. Os mortos conseguem atravessar as trincheiras de fogo. A batalha continua intensa, os mortos começam a invadir Winterfell e nessa hora Arya começa a mostrar como é “fodona” matando vários mortos, para espanto de Sor Davos. Na cena seguinte o primeiro momento triste do episódio, um gigante morto vivo destrói a porta do castelo e vai direto para Lyanna Mormont, esmagando-a com as mãos, que em um último ato de bravura o acerta no olho com vidro de dragão matando-o mas morrendo em seguida (olha, que baita personagem…).

Uma qualidade do episódio é a forma que ele consegue equilibrar a grande e intensa batalha com uma cena mais “tranquila”, e nem assim deixa a tensão cair, inquietante e inteligentemente consegue mostrar que há outros tipos de batalha, em um dos momentos mais tensos do episódio, Arya “fodona” Stark da show dentro da biblioteca: se esconde, engana, mata e foge em silêncio de vários mortos que estão ao seu redor. Ao fugir é salva por Clegane e Beric, esse é morto ao protegê-la. Clegane e Arya se encontram com Melisandre. Arya diz que a conhece e que a bruxa vermelha na época havia dito que se veriam de novo e que ela fecharia muitos olhos. “Olhos castanhos. Olhos verdes… e olhos azuis”. Arya então, parece entender algo…

“- O que dizemos ao Deus da Morte?

“- Hoje não”.

Os mortos chegam ao Bosque Sagrado e Theon e os homens de ferro lutam para proteger Bran, os Dragões se enfrentam no céu. Daenerys chega e consegue derrubar o Rei da Noite de Viserion, mas Jon também cai de Rhaegal. Numa cena muito aguardada por todos Daenerys aparece montada em Drogon diante do rei da noite e o Drogon cospe fogo nele, mas eis que o fogo se apaga e o rei da noite sai intacto com um sorriso zombador no rosto olhando para Dani, que vê aquela cena chocada e foge. O Rei da Noite, como se nada tivesse acontecido, segue caminhando tranquilamente atras de Bran, Jon que não esta muito longe corre atrás dele.

“Dracarys”

Ao perceber a aproximação de Jon o Rei da Noite revive os mortos caídos em batalha que cercam Jon, mas isso não acontece somente à volta dele, os guerreiros mortos em Winterfell começam a reviver um a um, deixando os vivos atônitos e desesperançados, nesse momento os mortos da cripta onde Sansa, Tyrion e as mulheres e crianças estão, também começam a despertar causando desespero…

Quando tudo parecia perdido para Jon, eis que Dani o salva novamente, enquanto Jon corre mais uma vez atrás do rei da noite, os mortos como formigas sobem em Drogon, que se sacudindo para derruba-los, acaba também derrubando Daenerys, a deixando indefesa e quem surge nesse momento para salvá-la uma última é Sor Jorah.

Jon não consegue alcançar Bran, pois fica detido no castelo por causa de Viserion, nas criptas Sansa e Tyrion tentam se proteger, no bosque sagrado o rei da noite aparece junto com os caminhantes brancos e nesse momento acontece o segundo momento mais triste do episódio, Bran diz a Theon que ele é um homem bom e o agradece, Theon que lutou até o último minuto para proteger Bran, parte para cima do rei da noite e é facilmente morto por ele com a própria arma (enfim encontrando redenção, protegendo aquele a quem uma vez havia falhado).

“- Theon. Você é um bom homem”.

Numa cena que nos faz prender a respiração tamanha apreensão, o Rei da Noite caminha em direção a Bran, quando ele chega perto e vai pegar sua espada para desferir o golpe final, eis que como elemento surpresa, Arya “dona-da-porra-toda” Stark que já havia impressionado lutando contra os mortos, inesperadamente pula no Rei da Noite com a adaga de aço valiriano em sua mão para acerta-lo, ele porém a pega pelo pescoço, ela então deixa a adaga cair, pegando-a com a outra mão e o apunha-la no abdômen, é o fim, do Rei da Noite, dos Caminhantes Brancos que se quebram em pedaços de gelo e dos mortos que caem no chão para nunca mais se levantarem novamente, terminando assim a grande guerra…

Temos então o terceiro momento mais triste do episódio, Sor Jorah que havia se ferido gravemente protegendo bravamente Daenerys, vendo que os mortos já não são mais uma ameaça, cai exausto e morre nos braços de sua amada Khaleesi que chora copiosamente por sua perda.

Na última cena vemos então Melisandre caminhando por entre os corpos e o gelo, tirando seu colar (o mesmo que a mantinha jovem), e o deixando cair, ela então envelhece e virando pó deixa de existir.

Bom, GOT sempre foi uma série imprevisível, complexa e corajosa, mas depois que George Martin parou de ajudar nos roteiros, a série perdeu um pouco de rumo e essência. É sem sombra de dúvidas uma batalha cheia de reviravoltas e belas sequências, e por mais incrível e empolgante (eu fiquei parada olhando para a tv e pensando: putz a Arya, a Arya e ao mesmo tempo: mas acabou assim???), ficou aquela sensação ambígua entre empolgação e decepção de um final simplista e fácil demais para um personagem tão terrível com seus caminhantes brancos e seu exército de mortos, um perigo que prometia muito e foi estabelecido desde o primeiro episódio da primeira temporada.

E agora as atenções se voltam para o Sul, para Cersei e as batalhas “políticas” de Westeros…

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